Achei que ainda tinha 10 anos com meu pai. Ele tratou a LLC de forma tão eficaz na última década que às vezes eu esquecia que ele tinha câncer. Uma infecção tomou o cérebro dele tão rápido que, quando meu olho vermelho apareceu, só conseguíamos ter conversas simples de sim ou não. Em 48 horas, era uma questão de cara ou coroa se ele conseguiria me reconhecer. Uma semana depois, nossa última faísca de esperança se apagou e nos despedimos. Não houve aviso. Sem aviso para passar um tempo de qualidade. Por que eu não liguei para ele toda semana? Por que não pedi para ele me mostrar fotos dele da minha idade e explicar aquela fase da vida dele? Por que eu não tenho mais fotos dele? Com ele? Estou com raiva de mim mesma por todos aqueles momentos em que não estive presente com ele. Estou com raiva do mundo por como ele foi levado de repente. Tão cedo. Seis meses antes do meu casamento. Nunca consegui conhecer meus filhos. Poder chamá-lo de "vovô". Eu mal podia esperar para dar isso a ele, e agora não posso. Nas últimas semanas, tenho estado desesperado por controle. Eu não conseguia controlar a burocracia que negava a ele uma cama no hospital especializado para o qual ele doava, mesmo quando pagávamos por um avião médico particular para transportá-lo. Dói ainda mais que, no fim das contas, isso não teria feito diferença. Não posso controlar o que aconteceu com meu pai neste momento, mas posso controlar como sigo em frente. Não vou cometer os mesmos erros de novo, mãe. Não vou deixar a família ir sem um líder forte em quem possam confiar. Não vou deixar meus filhos crescerem sem saber quem você foi, pai. Sua energia. Seu otimismo avassalador. Determinação. Ética de trabalho. Como sua intensidade intensa se transformou em uma ternura distinta nos seus últimos anos. Continuarei a te orgulhar do que realizo, mesmo que eu não possa mais sentir a alegria de ver o orgulho nos seus olhos. Vou transmitir os valores que compartilhamos. Vou dar tudo para meus filhos, assim como você fez. Converse com seus pais.